segunda-feira, 30 de maio de 2016

Fathers be good to your daughters, daughters will love like you do.

Há dias venho tentando escrever esse post. O caso é que, algumas semanas atrás, numa conversa à toa com o respectivo, comecei a me dar conta da responsabilidade que temos com o adulto que o pequeno se tornará. Não com o adulto saudável, bem sucedido e bem educado que esperamos que ele seja. Isso também. Mas com o adulto que se sente bem consigo mesmo independentemente das suas escolhas, que não tem medo de se expor, que enfrenta a vida de peito aberto, que confia e é confiante. Ou com o adulto que tem dificuldade de se entregar num relacionamento, que estremece diante de qualquer dificuldade, que não sabe reconhecer o próprio valor e que se deixa levar pelas opiniões alheias. É uma responsabilidade tão gritante e ao mesmo tempo tão sutil que, apesar da sua importância, pode passar completamente despercebida. Já vi conversas de pais/mães reclamando de seus filhos - já adultos -, do que eles se tornaram ou de como eles são e me vi perguntando mentalmente se aqueles pais não tinham a noção de que eles são parte dessa reclamação. Uma boa parte, aliás. Hoje tenho bem clara em mim essa noção de que sou responsável por cada sentimento que provoco no pequeno e por cada reação emocional que sou capaz de gravar nele a partir dos meus atos. Mas será que em algum momento eu vou me esquecer disso? Será que, por algum motivo ao longo do caminho, os pais esquecem a carga de responsabilidade que seus atos tem sobre seus filhos?
Pare um segundo e pense em você mesmo. Quantas características da sua personalidade você atribui aos seus pais? Aos seus traumas de infância? Quantas vivências difarçadas no seu dia a dia de anos atrás fazem hoje parte do seu mais íntimo ser? Quantos bons momentos do seu passado mais remoto você guarda com ternura e te fazem agir de tal maneira que você busque reproduzir algo que um dia te fez se sentir tão bem? E não digo tudo isso tendo em mente apenas nossos defeitos e fraquezas. Muito pelo contrário, digo tudo isso pensando nas coisas mais valiosas que podem vir da relação pais/filhos. Afinal, é com os pais que os filhos aprendem a amar. Ou deveria ser. Somos o primeiro contato deles com o amor, a sua primeira relação amorosa. Que pode ser de confiança, aceitação, empatia. Ou de cobrança, chantagem emocional, constragimento. Uma relação de respeito entre dois seres humanos providos de sentimentos e passíveis de erros, ou uma relação puramente hierárquica.. 
Lembro nos primeiros dias de vida do pequeno, de como eu o via tão puro, tão limpo. Limpo no sentido mais literal da palavra. Eu tomava todo cuidado do mundo para mantê-lo longe de qualquer sujeirinha. Na minha cabeça, eu deveria cuidar para que ele não tivesse contato com sujeira, germes e afins que nos cercam. Eventualmente ele acabaria tendo esse contato mas, até lá, ele teria sido protegido tempo suficiente para estar mais imune aos males que a sujeira e os germes poderiam lhe causar. Naquela época, eu pensava nisso como uma questão de higiene, saúde. Hoje eu vejo como uma analogia mais do que perfeita da proteção emocional que eu devo proporcionar ao pequeno. A vida é dura, cruel e ele tem que aprender isso desde pequeno. Ouvi muitas vezes essa frase e quase cheguei a acreditar que era assim que eu deveria agir com meus filhos. Hoje, com o pequeno e toda sua vulnerabilidade diante de mim, não é mais assim que eu penso. Não acho que meu papel seja ser dura com ele para que ele saiba que o mundo é assim. Assim como eu fiz nos seus primeiros meses de vida com a sua saúde física, eu posso tentar protegê-lo de toda a "sujeira". Eventualmente ele irá se deparar com a dureza de que tanto falam. Até lá, se tudo der certo, ele terá imunidade emcional suficiente para conhecer as dificuldades da vida..
Para minha felicidade, amanhã eu vou participar da exposição do filme "O Começo da Vida" organizada pela minha querida doula que acompanha o pequeno desde os tempos de barriga. Veio bem a calhar nesse meu pequeno momento reflexivo. Até pensei em adiar esse post mais um pouco, esperar para ver o efeito que o filme causará em mim. Acabei achando mais sincero deixar registradas aqui as minhas considerações pré-filme. E confesso, pelo pouco que vi no trailer, estou com boas expectativas. Se estou certa ou errada sobre toda essa questão da responsabilidade e pela maneira como espero agir diante disso, quem de fato sabe? Talvez nem mesmo o filme consiga me responder. Talvez a resposta esteja me esperando daqui uns 20 ou 30 anos, estampada no ser do futuro adulto que o meu pequeno se tornará.
Fonte: http://ocomecodavida.com.br/

quinta-feira, 5 de maio de 2016

I know will be alright, it's just overkill.

Um dos meus maiores defeitos é a ansiedade. Acho inclusive que já mecionei isso algumas vezes por aqui. Eu sempre fui uma pessoa muito ansiosa, desde que me conheço por gente. Mas me tornar mãe intensificou esse pequeno detalhe do meu ser de uma maneira quase drástica. Por diversas vezes me vi tendo que enfrentar situações que elevaram minha ansiedade à potência máxima, e todas essas vezes me vi chegando à conclusão que ficar ansiosa não me levou lugar algum. Não só não me ajudou, como me atrapalhou muito. E também não resolveu o problema, que aliás acabou se resolvendo por si só. Ficar ansiosa só faz com que eu encha minha mente de questões geralmente insolúveis, de coisas que não dependem de mim, e acabe deixando passar os detalhes que realmente importam. E isso tudo é muito fácil de enxergar agora, na calmaria, mas quando a ansiedade bate, aí mermão, só Jesus..
Logo antes de entrarmos de férias, eu andava incomodada com o fato do pequeno passar quase o dia todo com a chupeta na boca. No final/início do ano, nós tínhamos conseguido reduzir muito o uso da dita cuja, estavámos conseguindo até fazer ele tirar sonecas durante o dia sem ter que recorrer a ela. À noite não, nem pensar. Era nosso amuleto da sorte e resolvia qualquer chorinho sem motivo no meio da madrugada. Mas no mês que precedeu as férias, ele desatou a pedir a tal da "pi" (pi, do dicionário arthurês, significa chupeta, pássaro ou peixe, depende da ocasião e do cenário que o cerca). E aquilo foi me deixando extremamente ansiosa. Quando ele nasceu, eu relutei um pouco para dar a chupeta, mas acabei cedendo ao cansaço e aos anseios de um pequeno que chegou a passar 3 horas direto pendurado no meu seio. Minha ideia era não deixar ele passar dos dois anos de idade ainda dependendo dela. Já estava planejando fazer o ritual de entrega da chupeta ao Papai Noel nesse Natal. Ele estaria com 2 anos e 2 meses, e dois meses a mais era um período aceitável levando em conta a proximidade das festas de final de ano e o costume que se tem de usar essa desculpa para a "deschupetização". Mas aquela nova necessidade dele de pedir a chupeta o tempo todo começou a me deixar preocupada. Enfiei na cabeça que, se antes nem ligava tanto e agora estava passando a pedir cada vez, essa necessidade iria aumentar dia a dia até chegar ao ponto de tornar o objetivo de fazê-lo largar praticamente impossível. Minha ansiedade vislumbrou o pior dos cenários e me fez começar a matutar o que eu poderia fazer para reverter a situação.
Então nós saímos de férias. Ficamos os primeiros 10 dias na casa da minha irmã, com o intuito de deixar os primos se curtindo o máximo que podiam. Com toda a agitação que havia ao redor dele, comecei a botar meu plano em prática: recusar os pedidos pela "pi" distraindo-o com outras coisas, para que assim ele voltasse a usar só na hora de dormir. Logo de cara os pedidos diminuiram, ele estava distraído demais brincando e se divertindo para lembrar da chupeta. Mas, ainda assim, ele pedia de vez em quando. Eu desconversava e chamava a atenção dele para outra coisa. Foi funcionando e aos poucos eu já pude voltar a vislumbrar uma "deschupetização" sem dramas a se concretizar daqui uns meses.
Só que aí, o inesperado aconteceu. Um certo dia, o pequeno começou a se mostrar irritado e desconfortável com alguma coisa, ele apontava o dedo para a boca, encostando na lígua e chorava angustiado. Com uma irmã formada em odontologia em casa, pedi ajuda. Ela deu uma olhada e viu a gengiva inchada, mostrando a saída próxima dos molares inferiores. E aí, quando ele chorava desconsolado, sensibilizada pela sua dor, eu lhe dava a chupeta sem titubear. Só que ele a colocava na boca e em seguida jogava longe. E passou a fazer isso direto, aceitando a tal da "pi" apenas algumas vezes. Nisso, ele acabou passando a pegar no sono à noite sem a chupeta, e mesmo de madrugada, quando ele acordava e eu tentava usá-la para fazê-lo voltar a dormir, ele arremessava a pobre coitada longe, virava pro lado e dormia. E foi aí que eu e o respectivo vimos a oportunidade: para quê esperar até o final do ano se o próprio pequeno estava se "auto deschupetinizando"?! Tiramos a chupeta do alcance da visão dele e paramos de oferecer. Vez ou outra ele pediu, nós desconversamos e rapidamente ele esqueceu. E foi assim que, num processo aproximado de 15 dias, tiramos a chupeta da vida do pequeno. Ou ele mesmo tirou. A impressão que eu tenho é que foi ele que escolheu isso, que ele escolheu o momento ao perceber que não precisava mais dela. Afinal, já haviam nascido 10 dentes na sua boquinha e em cada um deles ele se agarrou à sua querida "pi" como um náufrago se agarra a um bote salva vidas. O que fez ele subitamente passar a jogá-la longe, eu jamais saberei. Só sei que ele deu fim a um processo de meses de ansiedade numa quinzena inesperada e não planejada. E eu fiquei lá, observando mais uma vez ele se resolver sozinho, fazendo mais uma vez com que as minhas preocupações parecessem extremamente bobas.
Já faz aproximadamente 1 mês que ele não usa e nem pede. Ficamos receosos que no retorno da creche ele fosse voltar ao pedir, já que veria os coleguinhas usando. Niente. Tínhamos até guardado uma just in case, mas acho que já é seguro nos livramos dela também. Reparei que, ainda durante as férias, ele acabou compensando a falta da chupeta com outras coisas. Pedia mais para mamar - principalmente nos momentos que ele recorria a ela, como quando ele acorda das sonecas - e se apegou também ao tablet. Nós baixamos alguns desenhos e levamos na viagem para nos acudir nos momentos que ele precisasse ficar quietinho/concentrado, como durante o vôo (e de fato ajudou muito!), e ele acabou se apegando nisso. Acabamos deixando ele pegar no sono à noite algumas vezes assistindo o tablet, para compensar a falta da chupeta, com a resolução clara de que não faríamos o mesmo em casa. Ele chegou a pedir pelos desenhos no meio da madrugada, o que eu imagino que tenha sido apenas uma confusão causada por um misto de sono e anseio de pedir por algo que o confortasse e o fizesse voltar a dormir. Mas desde que voltamos para casa ele voltou a dormir tranquilo sem precisar disso. E sem precisar da chupeta. A mamadeira ele continua pedindo um pouco mais do que o normal, mas eu não vejo mal nenhum em dar. Aos poucos acredito que ele vai precisar cada vez menos.
Se essa crença vem de uma nova Manu, mais tranquila e menos ansiosa? Talvez. Gosto de pensar que eu sou capaz de aprender com as situações e superar meus defeitos (Yes, I can!). E vejo até que algumas vezes eu de fato reajo com menos intensidade. Mas outras não. Confesso que a maioria das vezes acabo agindo como a velha ansiosa de sempre. Ainda há muito a melhorar. E ainda há muito que se viver com o pequeno. Quem sabe até ele desfraldar, entrar no colégio, tiver as primeiras namoradas, aprender a dirigir, sair de casa, fazer faculdade, casar, tiver filhos, eu tenha conseguido aprender a domar essa ansiedade que habita em mim... 
Fonte: https://br.pinterest.com/pin/68468856804406024/

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Na estrada com o pequeno: litoral alagoano.

Nada como um mês inteiro de férias. Um mês em família, matando a saudade de quem mora longe, curtindo praias paradísiacas e vendo meu pequeno se desenvolver numa velocidade que deixaria Senna e Schumacher comendo poeira.Voltamos para casa com um pequeno que fala pelos cotovelos, nada como um peixinho e se aventura em quase todos os brinquedos do parquinho (parece bobeira, mas juro que é uma conquista e tanto).
O início das férias foi reservado à minha família. Depois de 3 semanas no Sul, seguimos viagem à Macéio, onde se iniciou a segunda parte dos nossos passeios. Quando começamos a planejar noss viagem de férias, as praias do Nordeste foram a primeira opção que consideramos. Como tem se alertado muito sobre o surto de zika no país, resolvemos fazer uma pesquisa e descobrimos que o Estado de Alagoas tem poucos casos registrados, praticamente a mesma quantidade do Estado do Rio de Janeiro, onde moramos. Achamos que seria uma opção segura - aliada a medidas de prevenção - e decidimos que seria nosso destino e que não estenderíamos a outros estados, já que os números eram consideravelmente maiores (como o vizinho Pernambuco, por exemplo). Depois de uma boa estudada no rol de praias alagoanas, traçamos a seguinte rota: 3 dias em Maceió, 3 dias em Barra de São Miguel (litoral sul) e 6 dias em Japaratinga (litoral norte). E aí segue o relato mais completo que eu consegui fazer dessa que entrou para o rol das melhores viagens que fizemos juntos:

1ª Parte: Maceió.
Chegamos em Maceió no sábado à noite, só tivemos tempo de pegar o carro que havíamos alugado, passar no mercado para algumas coisas de emergência (minha mala com todas as minhas coisas e as do pequeno havia se perdido no trecho Florianópolis-Guarulhos, felizmente ela chegou no dia seguinte), e seguir para o hotel. Ficamos hospedados no Hotel Pousada Água de Coco, localizado na praia de Cruz das Almas. Quem viaja a Maceió costuma se hospedar na Ponta Verde ou Pajussara, que é onde fica o burburinho de restaurantes/bares e onde a praia urbana é melhor de se passar o dia. Como nossa ideia não era ficar apenas no trecho urbano, não nos preocupamos em ficar nessa área. O hotel que ficamos era muito bom, quarto espaçoso, ótima limpeza, café da manhã bem variado, staff simpático e prestativo. Recomendo. No dia seguinte, decidimos passar o dia num bar de praia chamado Milk Beach Pub, na praia de Garça Torta. E posso dizer que já começamos a viagem com o pé direito. A praia, além de ser linda, tem um bônus: na parte rasa do mar tem pequenos corais que foram várias piscininhas ótimas para os pequenos. O nosso se esbaldou. A água era tão quente que chegou a me incomodar, mas ele não queria saber de sair de lá. Aliás ele só saiu para almoçar e não voltou porque o mar passou por uma mudança drástica. Logo no nosso primeiro dia, descobrimos que a maré muda de uma maneira absurda no decorrer do dia nessa região (talvez em várias outras do Nordeste também, eu não saberia dizer..). Chegamos por volta das 10h e a maré estava baixinha, cheia de piscinas. Depois do almoço a maré subiu e o mar invadiu a areia, fazendo as piscinas sumirem e as mesas que estavam dispostas por ali serem recolhidas. E aqui deixo uma dica: se você for a essa praia e a maré estiver alta, não sendo possível avistar os corais, lembre-se que eles estão ali e que você poderá se machucar ao pisar neles. Sobre o Milk bar, super recomendo. Tem uma ótima estrutura, com mesinhas na areia e uma parte interna com redes, puffs, ducha, etc. O cardápio muito bom e o preço acessível. À noite, jantamos no Bodega do Sertão, e minha boca saliva só de lembrar. Disparado o melhor buffet que eu já fui, comida regional deliciosa, com destaque para a carne de sol com nata e a cocada cremosa. Destaque também para os funcionários, que nos trataram muito bem e fizeram a maior festa com o pequeno.
Corais formando piscininhas = perfeito pros pequenos!

Estrutura interna do Milk Beach Pub.

Praia pós-almoço, mar cobrindo os corais.

Recepcionista muito simpática do Bodega do Sertão.
O segundo dia em Maceió reservamos para mais um bar de praia, o Hibiscus, localizado na praia de Ipioca. Fica na beira da praia e tem uma estrutura completa, inclusive com piscina. O day use custa 25 reais por pessoa e posso dizer tranquilamente que vale a pena. A praia é linda, o mar é verdinho, quente e calmo, perfeito para crianças. Tem pisicinas naturais bem perto da praia, sendo possível chegar de caiaque. Nós fomos e adoramos. O único lado ruim é que o tempo de aluguel do caiaque é muito curto, meia hora. O respectivo deu uma chorada e conseguiu aumentar para 40 minutos. Levamos 15 minutos remando até o local e 10 minutos voltando, sobrando pouco tempo para curtir a piscina. Mesmo assim valeu. À noite jantamos no Imperador dos Camarões, onde experimentamos o famoso chiclete de camarão e eu confesso que me decepcionou, eu não comeria de novo. Já o outro prato - camarão grelhado com molho de framboesa, risoto cremoso de parmesão e folhas de manjericão - eu repetiria muitas vezes.

Praia de Ipioca, vista do Hibiscus que fica num nível mais alto do que a areia.

Pequeno curtindo sua boia nova na piscina natural. (E aproveito para fazer um merchan gratuito: comprei no Mercado Livre, custou em torno de 90 reais com frete, é da marca Ativa Kids. Ela é feita de material de colete salva-vidas, portanto não fura, e como tem uma parte que envolve o peito da criança além dos braços, faz com que ela flutue mais e se sinta mais segura. O nosso pequeno super aprovou!)

Quem vê pensa. Não fosse o respectivo, não teríamos saído do lugar...

No último dia em Maceió, decidimos ficar numa praia local e aproveitar o caminho até Barra de São Miguel para conhecer a praia do Francês. Escolhemos a praia de Pajussara, muito gostosa, só não curti muito a presença de muitos pombos na faixa de areia. Almoçamos na Comedoria Sueca, excelente opção de buffet. À tarde, passamos pela famosa praia do francês, mas como o tempo estava fechado, decidimos apenas descer do carro, olhar e seguir viagem. Não achei a praia mais bonita do que as outras que fomos nos primeiros dias e fui embora de lá sem entender a fama.

Praia do Francês, pequeno foi e nem viu.


2ª Parte: Barra de São Miguel.
Chegamos no meio da tarde na pousada e decidimos ficar na piscina. O pequeno se divertiu tanto que aprendeu a palavra "piscina" e pedia toda vez que podia depois disso. A pousada era bem simples, com cara de casa que foi transformada em um pequeno hotel, mas era aconchegante e os donos extremamente simpáticos e prestativos.
No dia seguinte, fomos até a praia do Gunga que tem um visual de tirar o folêgo. Logo na chegada tem um mirante, e vale a pena parar para ver a extensão do coqueiral que toma conta da região. A praia é tomada por barzinhos que espalham suas cadeiras e mesas plásticas pela areia, o que acaba estragando um pouco o cenário paradisíaco. Vale a pena caminhar até o final da praia para apreciar o trecho sem ocupação humana. Tiramos umas fotos lindas lá.
Vista do Mirante: um mar de coqueiros.

Praia do Gunga: o lado deserto..

..e o lado ocupado por bares/restaurantes.

Pequeno perdido na sombra do coqueiro.
No segundo dia, como o tempo voltou a nublar, decidimos ficar na piscina da pousada. O que acabou sendo uma excelente ideia. Pequeno se divertiu e evoluiu muito na água. No primeiro dia ele não saía de perto da gente, no segundo ele já saiu nadando sozinho, pulando da borda e tudo, nem parecia meu bebêzinho estreante. Quando ele finalmente cansou e pediu para sair, fomos almoçar no Canal da Massagueira, no Bar do Pato. Foi uma das refeições com melhor custo/benefício da viagem (aliás nos decepcionamos um pouco com o valor que pagamos nas refeições na viagem, sempre ouvimos que o nordeste era barato, mas pagamos praticamente a mesma coisa que estamos acostumados a pagar em São Paulo). Tem um parquinho que o pequeno curtiu enquanto o almoço não chegava, e fica na beira de uma lagoa que ele adorou explorar depois.  
No último dia, decidimos aproveitar a praia perto da pousada. Mais uma praia linda, de mar calmo, quente e verde. Ficamos no bar Life Beer, excelente atendimento, comida boa e preço acessível. Logo depois do almoço o tempo começou a nublar, foi a nossa deixa para pegar a estrada rumo a Japaratinga. No caminho, passamos pelas famosas barraquinhas à beira da estrada que vendem cocadas de todos tipo de sabor (maracujá, banana, castanha, etc.). Compramos uma de cada. Me decepcionei com cada uma. Elas não tem aqueles pedacinhos de coco no meio deliciosos e achei meio açucarada demais. Mas né, gosto, cada um com o seu.
Pequeno e a amiguinha que fez na praia curtindo o mar da Barra de São Miguel com os arrecifes ao fundo.


3ª Parte: Japaratinga. 
Saímos de Barra de São Miguel por volta das 16h e levamos quase 3 horas até Japaratinga. A estrada não é boa (aliás é péssima), não tem sinalização, nem iluminação. Sequer tem faixa divindo a via. Passamos pela parte urbanizada quando o sol estava se pondo e o resto da viagem fizemos no escuro. Foi bem tenso. Aconselho fazer essa viagem durante o dia, até porque, caso aconteça algo e você precise de ajude, há pouquíssimos trechos urbanizados no caminho onde é possível conseguir algum auxílio. Ficamos na Pousada Badejo, pequena, mas com boa estrutura, café da manhã bem variado e staff excelente! Como chegamos à noite, só deu pra curtir um pouco a piscina, pedir uma pizza na pousada mesmo e dormir.
No dia seguinte, o tempo amanheceu nublado, então decidimos visitar o Associação Peixe-Boi, que fica no vilarejo de Porto das Pedras, do ladinho de Japaratinga. Foi um passeio tranquilo e gostoso de fazer com o pequeno. Dá para ver o peixe-boi de pertinho e o valor pago ajuda na economia local e manutenção da associação. Gosto de fazer ecoturismo assim, quando há preocupação com o bem-estar animal (sou dessas que boicota idas a zoos..). Depois da visita, fomos passear em São Miguel dos Milagres e almoçamos por lá, no Restaurante do Enildo, comida boa, mas achei um pouco cara. Depois do almoço, resolvemos procurar um trecho da praia para curtir um pouco. Acabamos achando uma estradinha que levava para um caminho em meio ao coqueiral que beirava a praia. Como o tempo estava nublado, o pequeno tinha adormecido no balanço do carro e o passeio estava interessante, decidimos não parar na praia e seguir explorando o coqueiral. Vi numas dicas da internet que há bugueiros que levam os turistas para fazer esse passeio que passa pelo coqueiral e pela faixa de areia em algumas praias. Nós acabamos sem querer fazendo por nossa conta. No final do caminho, logo antes de voltar para estrada, havia um trecho onde as árvores se curvavam e se encontravam formando um lindo túnel natural. Acabamos o dia com mais um passeio de piscina e uma jantinha preguiçosa na pousada.
Trilha no manguezal que leva ao lugar onde pegamos o barco para ver os peixes-bois.

Lugar onde ficam os peixes-bois. Essa parte cercada funciona como um berçário. Os maiores ficam do lado de fora.

Dois peixes-bois disputando as folhas de alface que ficam na superfície. Quando nós fomos, tinha 4 deles se alimentando. Logo que chegamos, 3 sumiram (segundo o barqueiro eles enchem a barriga e depois vão dormir) e ficou apenas 1. O barco chega pertinho e dá para ver bem, mas as fotos não ficaram boas porque ele parece sumir na cor do rio. Alguns turistas dão sorte de pegá-los num momento brincalhão, quando eles gostam de abraçar a parte baixa do barco, não foi o nosso caso :/

Restaurante do Enildo.

E a praia que fica em frente, no vilarejo de São Miguel dos Milagres.

Túnel natural que fica no final da estrada do coqueiral.
No nosso segundo dia de Japaratinga, decidimos procurar um hotel que outro hóspede da nossa pousada indicou, chamado Albacora. O hotel tem uma excelente estrutura na beira da praia a qual é possível desfrutar sem pagar day use, apenas consumindo no restaurante de lá. Tem uma piscina grande para adultos e uma para crianças que dava pé para o pequeno. Aliás, quando ele viu a piscina, não quis mais saber da praia. Acabamos passando o dia sem praticamente tocar o pé na areia, mas o visual é bem bonito e o pequeno se divertiu tanto que valeu a pena. Para quem prefere ficar na praia, vale também. O hotel não oferece mesas na areia, mas a nossa ficava embaixo de um coqueiro bem próximo à areia, o cardápio é variado, o preço bem melhor do que outros lugares que fomos na região, e tem o benefício de poder tomar uma ducha e dar um mergulho na piscina depois de um banho de mar. À noite, preguiça de novo. Agora que parei para escrever sobre nosso roteiro, me dei conta que praticamente nem jantamos fora em Japaratinga. Acho que todas as nossas jantas foram feitas na pousada mesmo, aproveitando o que havia sobrado do almoço (a maioria das refeições que fizemos era tão bem servida e sobrava tanta comida que era até um pecado não levar um quentinha embora) ou fazendo algum lanche rápido.
Pequeno serelepe na piscina do hotel Albacora e o lindo visual da praia ao fundo.

No dia seguinte, decidimos voltar na praia do Patacho, uma das que estavam naquele caminho no coqueiral. Nós havíamos visto na internet que a praia não tinha infraestrutura nenhuma, nenhum barzinho, nenhum ambulante vendendo água ou qualquer outra bebida, ninguém alugando cadeira/guarda-sol. Abastecemos a mochila com suprimentos e partimos atrás de um coqueiro onde pudéssemos nos estabelecer. A ideia era passar a manhã lá, sair na hora do almoço para encontrar algum restaurante na região e voltar para a praia depois se São Pedro permitisse. Achamos um lugar perfeito, a sombra de um coqueiro com troncos ao redor que pareciam bancos. De todas as praias que nós fomos, essa foi a que eu mais gostei. Talvez por ser totalmente deserta, sem nenhuma ocupação estragando a beleza natural e porque não tinha praticamente ninguém na praia além de nós. Privilégio total. Perto daonde nós ficamos tinha um hotel muito bonito, bem reservado, com entrada pela praia, onde nós decidimos almoçar. Na verdade, para chegar ao trecho de praia que nós ficamos, nos pegamos a estrada onde havia a indicação de entrada para esse hotel, que chama Reserva do Patacho. Eu fiquei totalmente encantada pelo lugar, além de ficar nessa praia lindíssima, a estrutura é toda charmosa e privativa. Eu quase desejei casar de novo só para passar a lua de mel ali. Foi um dos pontos altos da nossa viagem. E o almoço estava uma delícia, mas o que fechou com chave de ouro o dia foi a sobremesa. Um sorvete caseiro de coco que eu comi suspirando. Sabe quando a cada colherada você sente um misto de prazer com tristeza por saber que aquele manjar dos deuses vai acabar e você não vai comer de novo tão cedo? Poisé. Cheguei a perguntar para o garçom se eles vendiam o pote do sorvete. Para a minha infinita tristeza não, eles não vendem (pausa para um minuto de silêncio em luto). Depois do almoço, resolvemos voltar para a praia ali mesmo e ocupar uma das tendas que o hotel oferece na areia e que nos liberaram para usar. Mas não durou muito. No caminho havia uma piscina e, assim que o pequeno avistou, lá se foi a vontade de ficar na praia. Como não podíamos usar (não hóspedes devem pagar uma taxa de 50 reais por pessoa e não achamos que ficaríamos tempo suficiente para fazer valer a pena, pois o sol já estava quase se pondo) tive que dar um jeito de distrair um pequeno choroso com os calanguinhos que passeavam sorrateiros no deck até decidirmos enfim ir embora. Esse foi um daqueles dias que ficam gravados num cantinho bem especial da memória e que eu reviveria mil vezes se pudesse..
Nosso Q.G. na Praia do Patacho.

Praia só nossa e de mais ninguém.

Guarda-sol pra quê?

Piscina do Hotel Reserva do Patacho.

A vista de dentro do restaurante.

O quarto e o quinto dia nós reservamos para Maragogi. Quando nós traçamos o nosso roteiro, decidimos nos hospedar em Japaratinga e nos deslocar até Maragogi, e não o contrário. Isso porque imaginamos que, como Maragogi é o destino mais procurado da região, Japaratinga seria mais tranquilo e acessível. Foi uma boa escolha, Maragogi é colado em Japaratinga e o trajeto foi rápido e fácil. Como nós havíamos agendado o passeio às Galés para o dia seguinte, decidimos escolher uma praia de lá para passar o dia. Acabamos nos estabelecendo no Restaurante Sabor do Mar, localizado na Ponta de Mangue, praia lindíssima com ares de Caribe. O restaurante tinha uma estrutura boa, com estacionamento, ducha, mesinhas, espreguiçadeiras e um cardápio diversificado. Só fomos embora porque a chuva nos expulsou, se não, teria sido um ótimo lugar para ficar até o sol se pôr. Na manhã seguinte, acordamos bem cedo pois o barco estava marcado para sair às 8h. Acabou que saiu quase 9h. Deixando para trás a horinha de sono perdida, lá fomos nós para as famosas piscinas naturais. Infelizmente, nós não tivemos sorte. O passeio para as Galés depende muito da maré do dia, sendo que o ideal é que ela esteja o mais baixa possível. No dia que fomos ela estava em 0,3. A água batia no meu peito na região das piscinas. Aliás, do lugar onde o barco parava até onde a água fica mais rasa, nem me dava pé, o que gerou um certo sufoco para voltar para o barco (explico: na ida, respectivo levou o pequeno, porém na volta ele ficou mergulhando nos corais e o pequeno se cansou da água e quis voltar para o barco, sobrando para mim a tarefa de nadar com ele a tiracolo). Triste é que, quando fomos planejar a viagem, consultamos a tabela das marés e vimos que ela estaria mais baixa nos últimos dias, razão pela qual decidimos ir primeiro para Maceió + litoral sul e depois para Maragogi. Porém a maré mudou. O barqueiro nos contou que na semana anterior a maré havia chegado a 0,0. Se tivéssemos invertido a viagem, teríamos conhecido as Galés no seu melhor momento. Oh well.. Depois dos passeios ficamos ali mesmo no restaurante de onde saíam as embarcações. Pedimos um prato delicioso, um dos melhores da viagem aliás: camarão ao molho de provolone com abacaxi caramelizado de lambuzar os beiços. Fiquei pasma quando o garçom nos contou que o abacaxi costuma voltar intocado e que as pessoas geralmente o substituem por outro acompanhamento. Mas né, de novo, gosto, cada um com o seu. Aproveitei os ambulantes para comprar mais caixinhas de bolo de goma (um espécie de biscoito de feira muito bom) que havíamos comprado no dia anterior. Falando nisso, esse é um ponto negativo das praias de Maragogi, a quantidade de ambulantes que te abordam. A maioria vendendo o tal bolo de goma (a moça de quem eu comprei me abordou uma segunda vez oferecendo e tive que lembrá-la que eu havia acabado de comprar) e crianças (sim, crianças!) querendo mostrar a sua arte (um pequeno azulejo que eles pintam na hora usando os dedos). Mas nada que estrague o prazer de estar no paraíso.

Bem-vindo ao Caribe a Maragogi!

Tira o olho do azul do mar e foca nas marcas na areia: lembra do passeio de bugue que comentei láááá na estrada do coqueiral? Poisé, eles passam por aqui (o que é um ponto negativo, já que requer atenção redobrada em cima de um pequeno que fica para cima e para baixo na praia..)

Mas fora isso, é o paraíso, não é?!

O pequeno com certeza concorda!
No barco, piscinas de Maragogi.

No penúltimo dia da viagem (pausa para uma lágrima), fomos conhecer as piscinas naturais de Japaratinga. Já na hora de embarcar vimos que teríamos mais sorte do que na vizinha Maragogi. Precisamos caminhar vários metros onde o mar deveria estar, mas só havia areia. O mar tinha recuado tanto, que haviam barcos "estacionados" na areia. A região das piscinas estava perfeita. Havia até uma faixa de areia onde um ambulante vendia bebidas, queijo e churrasco (meio farofento, mas tinha uma caipirinha de cajá sensacional que o respectivo comprou). Conseguimos mergulhar nos corais - que não tinham tanta diversidade de peixes, mas vimos alguns bem lindos - e nos sentar ao lado de um pequeno serelepe que se divertia na parte que dava pé. Na volta, almoçamos no restaurante da estalagem Cauia. Cardápio ótimo com diversas opções diferentes (a nossa: peixe ao molho de creme de gengibre com purê de banana e arroz com castanhas) e donos extremamente simpáticos. Recomendo! Terminamos o dia deixando o pequeno se divertir na piscina, seu mais novo vício.

Piscinas de Japaratinga. As manchas escuras são os corais, onde é legal mergulhar com snorkel.

Tão raso que parte do arrecife ficava à mostra.

Em Maragogi, o pequeno se cansou rápido das pisicinas. Já aqui ele se esbaldou andando de um lado para o outro.

Almoço delícia no Restaurante Caiuia.

No dia do nosso retorno, como nosso vôo estava marcado para 20h40 em Maceió (isso antes de descobrirmos que ele havia sido cancelado e termos que pernoitar em Maceió para viajar só no dia seguinte) e a viagem de Japaratinga até lá levava umas 3 horas, decidimos curtir a praia em frente à pousada e viajar depois do almoço. De novo a maré baixa fez o mar recuar metros, deixando uma faixa imensa de areia e algumas mini piscinas formadas. Passamos um tempo ali explorando e logo tivemos que juntar as trouxas para seguir viagem.
Mini-pisicina deixada pela maré baixa. Note-se que o mar deveria estar láááá na frente, onde é possível perceber a diferença da cor na areia úmida.

Cheios de saudades da nossa casa e dos nossos peludos, pegamos a estrada de volta. E lá se foi, um mês inteiro de férias. Um mês que passou voando, que nos levou a novos lugares e nos trouxe um pequeno um pouco menos pequeno. Cada dia mais um meninão e menos um bebêzinho. Que venham então o trabalho e a rotina. E que logo logo venham novas férias. Porque né, ninguém é de ferro. 

quinta-feira, 17 de março de 2016

Throwback Thursday: aaaaaaaaaaaatchim.

Porque essa semana pré-férias está se arrastando. E hoje eu vim trabalhar me arrastando, depois de uma madrugada intesa de rinite alérgica. Minha cabeça dói, meu corpo está moído e meu nariz fazendo com que eu me pareça com Rudolph, a rena. Mas há luz no fim do túnel, foi só uma crise alérgica. Já está tudo sob controle de corticóides. E, além do mais, as férias estão virando a esquina.
Vem ni mim ares do Sul. Vem que eu acho que a minha doença é saudade...

Postado aqui em 30.05.2015.

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Minha mãe nunca fica doente. Fato. Nos meus longos 30 anos de existência, raras foram as vezes que vi minha mãe tomar remédio ou precisar de um dia de cama. Eu sempre fiquei doente, e muito. Minhas irmãs ficaram doentes inúmeras vezes. Meu pai também. Até meus cachorros, o gato, o papagaio e o periquito. Mas minha mãe não. Cresci invejando o sistema imunológico da bendita, desejando ardentemente ter um pouquinho dos anticorpos dela nas minhas veias. Não suporto ter que tomar remédio. Sou dessas que espera a situação ou a dor estarem insuportáveis até colocar qualquer pílula, gotinha ou xarope na boca. Culpa talvez da quantidade astronômica de medicação que tomei durante a minha infância. Sorte minha que eu cresci, e meus glóbulos brancos devem ter 'crescido' junto, porque de uns anos para cá os vírus e bactérias resolveram procriar em outro terreiro. No último inverno, se tive uma gripe foi muito. Já nesse..
Minha mãe fica quase mais doente que eu. Ou, minha mãe é parceira e fica doente toda vez que eu fico. Essas são possíveis frases que o pequeno poderá um dia dizer. Desde que entrou na creche, ele já pegou duas gripes e uma virose. Normal. Resultado da soma creche+clima. Está socializando germes e se deparando com a chegada do primeiro inverno na sua vida. Só que eu tô indo junto todas as vezes. Fui parar no hospital algumas vezes nessa semana. Algumas levando ele, outras sendo levada. E invejando mais do que nunca o sistema imunológico da minha mãe. É meu pequeno, tamo junto. Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença.. 

Não, não somos eu e o pequeno, mas tinha tudo para ser. Sling, camisa jeans, coque alto e o pequeno de acessório, basicamente me resume. Encarando o inverno de frente. Bring it on, MTF!

Jogada em algum lugar assim. Agora.

It´s a lovely time for some tea!


Last autumn's days.

Baby it´s cold outside.

Healing sunshine.

Melhor. Sacola. Ever.


I have a thing for apothecary jars in the bathroom.

Fall colors inspiration.

Clean&Comfy

quarta-feira, 9 de março de 2016

BE-YOU-tiful.

Esses dias eu vivi uma situação que me deixou com o coração em pedaços. Eu estava no shopping com o pequeno e esperava o elevador. Quando entrei, havia três meninas e uma senhora. Pareciam ser irmãs com a sua avó, uma devia ter por volta de 14 anos, outra uns 10, e a menor uns 6 talvez. Sou péssima chutando idades. Anyway. As três lindas mulatas, com seus cabelos encaracolados caprichosamente arrumados. Logo que entrei com o pequeno a atenção se voltou para ele. "Que coisa mais linda", uma delas disse. E ele, faceiro como sempre, começou a fazer farra. Em meio aos vários "óuns" e elogios, a do meio solta: "Olha só, ele tem tudo que a gente não tem. É branco, loiro, de cabelo liso e olhos claros". Senti meu coração parar por um momento. Fiquei tão pasma com a sinceridade daquela declaração que eu simplesmente não soube o que dizer. Perdi a oportunidade, como me chamou a atenção o respectivo. Podia ter enaltecido a beleza dela, falado alguma coisa que a fizesse se sentir melhor consigo mesma, mas o choque não me permitiu raciocinar como deveria. Me reconheci nela. Não pelas características apontadas, mas por ter passado boa parte da minha vida querendo mudar várias coisas na minha aparência, desejando até mesmo ser outra pessoa. E me doeu perceber quão cedo essa cobrança interna começa. Não muito mais de 10 anos ela deveria ter, mas já havia nela uma auto estima em xeque, auto estima essa que provavelmente demorará anos até se firmar. SE um dia isso acontecer.
Quando será que nos sentimos mal ou insatisfeitas pela primeira vez por sermos nós mesmas? Eu não lembro quando isso aconteceu comigo, só lembro de me sentir assim durante muito tempo. Às vezes eu ainda me sinto. Eu sou branca demais, magra demais, tenho peito de menos, altura de menos. Não gosto do meu nariz, das minhas bochechas, da minha bunda, da minha barriga. Queria que meu rosto fosse mais quadrado, a maçã do rosto mais marcada, que aparecesse menos gengiva quando eu sorrio, que eu não enchesse de sardas quando pego sol. Quanto tempo já perdi encarando fotos, analisando detalhes, tentando me convencer que sim, eu até que sou bonita. Mas seria muito mais se eu pudesse mudar várias coisas em mim. A primeira delas? Minha auto estima. E não acho que isso seja um privilégio só meu. Tenho várias amigas lindas - dessas de parar o trânsito, como se diz por aí - que também se questionam assim. Pensando bem, acho que eu nunca conheci uma mulher que não tivesse ao menos um momento desses de baixa auto estima na sua vida. Será que isso faz parte do pacote de portar dois cromossomos X? Será que quando Deus nos criou, ele pensou: "toma aqui, um útero, dois ovários e um punhado de insegurança"? Provavelmente não. Mas a gente segue se questionando, desejando qualquer coisa que a outra tenha que não seja o que nós temos naturalmente.
Ontem foi dia internacional da mulher. Um dia para celebrar uma infinidade de conquistas que nós tivemos ao longo do tempo. Direito ao ensino superior, direito a votar e ser votada, à participação nos esportes, a trabalhar fora de casa, ao divórcio, a usar calças (!!!), à equiparação salarial, à proteção contra a violência doméstica, à igualdade de direitos e deveres perante a lei. E o mais básico dos direitos nós não conseguimos conquistar: o amor próprio. Ele tá ali, à nossa disposição. Mas nós insistimos em achar utópico demais nos aceitar exatamente como somos. Com todos os defeitos e qualidades, principalmente as qualidades, essas danadas que insistem em escapar aos nossos olhos. Eu sigo nessa luta há uns bons 20 anos, se não mais, e confesso que não sei se um dia essa minha luta particular terá fim. Aliás, escrevo esse post sem ter uma dica bacana de como lidar com baixa auto estima ou com uma solução mágica para essa insegurança toda. Mesmo com tudo que eu já conquistei nessa vida, sigo me questionando. Sigo brigando com a balança, com o espelho e com quem mais ousar me mostrar quem eu sou. Sigo, assim como você linda menina morena dos cabelos cacheados e olhos de jabuticaba a quem eu falhei seriamente por não ter lembrado da própria beleza, desejando ter tudo que eu não tenho e que um milhão de outras pessoas tem.  

quinta-feira, 3 de março de 2016

Throwback Thursday: what goes around, comes around.

Na semana que passou eu vivi uma montanha russa de emoções. Uma oportunidade de voltar para o Sul surgiu. E da mesma maneira súbita e inesperada que ela surgiu, ela também desapareceu, me deixando chorosa e deprimida e mais cheia de saudade da minha terra do que nunca. Me vi, em poucos dias, imaginando e praticamente já vivendo uma rotina que incluía praia, ir trabalhar de bicicleta e poder ver minha família toda vez que eu quisesse. Sonhei alto, para em seguida ser atirada de volta à minha realidade de rotinas exaustivas e ausências.
E é nesse clima de ressaca e melancolia que eu relembro esse post que trouxe vivências da minha infância para um dos maiores must have da atualidade na vida das mães com bebês pequenos: o tal quartinho montessoriano.

Postado aqui em 02.06.2015.

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Já comentei por aqui, nos primórdios do blog, sobre minha infância de andarilha. Cheguei pequena em Floripa, aos 7 anos, no meio de um ano letivo, e tive que começar a frenquentar uma escola nova. Não bastasse a novidade do lugar, das pessoas, de ter que começar tudo do zero numa cidade nova, eu ainda tive que enfrentar toda uma metodologia nova que o colégio onde eu havia sido matriculada. Método Montessori. Precisei me acostumar com a ideia de sentar em círculo no chão da sala ao invés de carteiras, fazer cálculos matemáticos com cubos e barrinhas de madeiras coloridas que representavam unidades, dezenas e centenas, fazer as atividades escolares em grupos que se revezavam nas matérias durante a semana até que todos os grupos tivessem feito todos os exercícios. Eram muitas novidades para minha pequenina cabecinha. Engraçado que não me lembro muito bem do rosto dos meus colegas de turma, mas nunca me esqueci dos detalhes daquelas aulas, de como eu me sentia diferente estudando sentada no chão utilizando bloquinhos de madeira.
Foram 3 anos e meio estudando nesse colégio. Dali para frente voltei a frequentar escolas que seguiam os métodos tradicionais. Carteiras, livros e apostilas. Muito tempo se passou de lá para cá. Muita coisa se passou até eu desobrir que aquela maneira diferente de estudar que habitava minha memória mais remota, era muito bem indicada não só dentro do ensino educacional, mas também para as rotinas dentro da nossa própria casa. Basicamente, o método montessoriano é caracterizado por uma ênfase na independência, liberdade com limites e respeito pelo desenvolvimento natural das habilidades físicas, sociais e psicológias da criança. Nesse sentido, busca-se a utilização dos recursos mais adequados a cada fase e a cada criança em seu momento, já que as fases não são estanques e nem têm datas exatas para começar e terminar. E foi nesse contexto que fui apresentada ao 'quarto montessoriano'. Um quarto pensado e planejado totalmente para a criança, com a cama numa altura em que ela possa sair com tranquilidade, brinquedos e objetos ao seu alcance, prateleiras e armários levando em conta a altura da criança. São só alguns dos detalhes visados por quem busca montar um quarto montessoriano. E já que liberdade é a palavra de ordem, a criatividade pode rolar solta e sem limites no quesito decoração..
Meu sonho fazer uma tenda dessas pro Arthur.

Cheer and colorful.

Estante de brinquedos acessível para os pequenos.

Essa folha de palmeira ❤️

Playroom dos sonhos!

Não fosse pelos móveis em tamanho mini, poderia dizer que é um quarto de gente grande.

So cute.

Simple & Beautiful.

Caminha montessoriana de patchwork. Muito amor!

O mesmo quarto, outro ângulo.

A-M-E-I a ideia da casinha pintada na parede.

Um desses para mim tava ótimo. Para MIM, não pro pequeno..

Ok, parece uma caminha de cachorro, mas eu gostei..

Perfect! (salvo na pasta de ideias para o futuro quarto do Arthur)

Rústico e fofo.

O espelho na parede é quase um must have do quarto montessoriano. As crianças adoram!

Adoro a simplicidade e a beleza desses quartinhos.
Na falta de um quarto, dá para fazer um cantinho montessoriano pela casa também.
Quando eu descobri o tal 'quarto montessoriano', o Arthur já tinha lá pelos seus 4 meses, e confesso que, apesar de ter adorado a ideia, rolou uma certa preguiça de remodelar o quarto todo dele. Afinal, era o único cômodo da casa que estava pronto, e ele tinha acabado de ganhar um cantinho de brinquedos na sala de TV.. Quem sabe, quando e se o/a segundo/a pequeno/a vier, e tivermos que reorganizar a disposição dos quartos da casa. O que no momento é quase um assunto de ficção científica. Let´s focus on now, shall we?!